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MPE denuncia vereador de BH Lucas Ganem por fraude em domicílio eleitoral

Vereador Lucas Ganem (Podemos) Dara Ribeiro/CMBH O Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou o vereador Lucas Ganem (Podemos) por falsa declaração de dom...

MPE denuncia vereador de BH Lucas Ganem por fraude em domicílio eleitoral
MPE denuncia vereador de BH Lucas Ganem por fraude em domicílio eleitoral (Foto: Reprodução)

Vereador Lucas Ganem (Podemos) Dara Ribeiro/CMBH O Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou o vereador Lucas Ganem (Podemos) por falsa declaração de domicílio eleitoral nas eleições de 2024. De acordo com o órgão, o parlamentar, que está atualmente afastado da Câmara Municipal, só se mudou para a capital mineira depois de ter sido eleito. A denúncia foi assinada pelo promotor Leonardo Duque Barbabella e enviada ao juízo da 39ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte nesta terça-feira (28). Segundo a peça, investigações conduzidas pela Polícia Federal comprovaram que Ganem nunca residiu no endereço informado à Justiça antes das eleições (leia mais abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Ainda conforme o MPE, o próprio vereador chegou a admitir, durante interrogatório policial, que só se mudou efetivamente para BH em novembro ou dezembro de 2024 — o pleito foi realizado em outubro. Ele também disse que, quando visitava a capital mineira, hospedava-se em hotéis ou em imóveis alugados, não havendo parentes nativos ou residência fixa na cidade. Com a denúncia, a promotoria pediu que o parlamentar perca o cargo público, tenha seus direitos políticos suspensos por dez anos e seja condenado ao pagamento de R$ 1,5 milhão por danos morais coletivos. O valor da reparação deverá ser destinado à Câmara Municipal. O g1 tenta contato com Lucas Ganem para um posicionamento. Vídeos em alta no g1 Procedimento político-administrativo Lucas Ganem é alvo de um procedimento político-administrativo no Legislativo de Belo Horizonte e de uma ação judicial desde o ano passado devido à denúncia de que não residia na capital mineira durante o período da eleição. Ele pediu licença do mandato pelo prazo de 121 dias no fim de 2025. Também nesta terça-feira, o vereador obteve um mandado de segurança que barrou o processo de cassação na Câmara Municipal em relação à análise sobre a fraude de domicílio nas eleições, deixando a discussão apenas com a Justiça Eleitoral. "A apuração de eventual fraude na declaração de domicílio eleitoral para fins de registro de candidatura diz respeito à condição de elegibilidade e, portanto, se insere no núcleo de competência exclusiva da Justiça Eleitoral", sustentou o juiz Danilo Couto Lobato Bicalho. No entanto, a determinação manteve a apuração sobre outras acusações contra o vereador, como infrações de decoro e violações à moralidade administrativa. Com isso, os trabalhos da comissão da Câmara, que estavam suspensos pela Justiça, poderão ser retomados (leia mais abaixo). Denúncia de fraude eleitoral A PF apurou que, no dia 19 de fevereiro de 2024, o parlamentar inseriu declaração falsa em documento público, por meio do sistema virtual da Justiça Eleitoral, para viabilizar sua candidatura ao cargo de vereador de Belo Horizonte. De acordo com o MPE, Ganem preencheu o "Requerimento de Alistamento Eleitoral" solicitando a transferência de seu domicílio eleitoral de São Paulo (SP) para a capital mineira, declarando, falsamente, residir em um endereço no bairro Trevo. No entanto, o verdadeiro proprietário do imóvel e testemunhas afirmaram que ele nunca morou ou sequer foi visto no local. "O verdadeiro proprietário e morador do imóvel, [nome ocultado pela reportagem], declarou em sede policial que apenas cedeu o endereço como 'ponto de apoio' para o recebimento de correspondências relacionadas a um projeto social de defesa animal, e que Lucas jamais o informou de que utilizaria o local como domicílio eleitoral", diz trecho da denúncia do MPE. Ainda segundo a denúncia, à época da falsa declaração e durante toda a campanha eleitoral, o vereador mantinha vínculo empregatício formal como coordenador e, posteriormente, gerente estadual de uma empresa em Curitiba (PR). "O primeiro registro de titularidade de conta de energia em nome do denunciado em Belo Horizonte ocorreu apenas em 25/11/2024, em endereço diverso do declarado", completou o promotor. Processos seguem caminhos distintos A ação judicial tramita sob sigilo e foi proposta pelo ex-vereador Rubem Rodrigues de Oliveira Junior, conhecido como Rubão, que assumiu como primeiro suplente do Podemos após Ganem pedir uma licença de 121 dias. Segundo a sentença, diligências e dados de órgãos públicos indicaram que o endereço informado como domicílio eleitoral não correspondia à residência do parlamentar. Paralelamente, a Câmara Municipal instaurou um processo político-administrativo para apurar o mesmo fato. Em 4 de dezembro de 2025, o plenário aprovou por unanimidade a abertura da investigação, com 39 votos favoráveis. A Comissão Processante é composta pelos vereadores Bruno Miranda (PDT), Edmar Branco (PCdoB) e Helton Junior (PSD). Até o momento, entretanto, não há decisão judicial que determine o afastamento imediato de Lucas Ganem do cargo.

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